Análise Econômica: Inflação, Mercado de Trabalho e Expectativas para a Selic
Banco Central mantém Selic estável com dados econômicos positivos no Brasil
Análise Econômica da Semana: Dados Inflacionários e Crescimento no Brasil
A semana iniciou com uma dinâmica de mercado de liquidez reduzida, influenciada pelo feriado de Martin Luther King nos Estados Unidos. O relatório divulgado na quarta-feira trouxe poucas novidades em relação à situação já conhecida, com uma leitura de estabilização do mercado de trabalho, caracterizada por contratações focadas na reposição de vagas e com crescimento salarial praticamente inalterado.
Em relação aos preços, persistiram pressões de custos, ligadas a tarifas, energia, seguros e o repasse gradual desses valores aos preços finais, impulsionado pelo esgotamento de estoques pré-tarifários.
Índice de Preços ao Produtor e Expectativas de Inflação
O Índice de Preços ao Produtor (PPI) de novembro apresentou um aumento de 0,2% em relação ao mês anterior, abaixo da estimativa de 0,3%. No acumulado de doze meses, o índice acelerou 3,0%. O núcleo do PPI, que exclui alimentos e energia, permaneceu estável (0,0% m/m), também abaixo das expectativas.
Apesar desses dados abaixo das expectativas, eles não alteraram significativamente as expectativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (PCE), indicador preferido pelo Federal Reserve, que será divulgado nesta quinta-feira (22). O mercado continua apontando para uma alta de 0,2% m/m e 2,8% a/a para a medida de núcleo, com estabilidade em relação ao dado anterior.
Mercado de Trabalho e Dados de Consumo no Brasil
Os pedidos de seguro-desemprego registraram uma redução de 215 mil para 198 mil na semana do dia 10 de janeiro, e os pedidos continuados também ficaram abaixo das estimativas (1884 mil versus 1897 mil). Embora exista um efeito sazonal residual típico deste período, os dados sugerem uma estabilidade no mercado de trabalho americano.
Leia também:
André Machado, “Ogro de Wall Street”, lança projeto para liberdade financeira no day trade
Banco Central e Mercado: Análise de Dados e Decisões Futuras em 2026
Empiricus acompanha emissões e oportunidades em fundos imobiliários (FIIs)
No Brasil, uma parcela relevante da agenda macroeconômica foi voltada para os indicadores de atividade. Os dados de vendas no varejo, divulgados na quinta-feira (15), apresentaram um crescimento forte (1,0% m/m versus 0,3% m/m), sendo o maior taxa de crescimento para o mês de novembro desde 2021.
Na comparação anual, as vendas aumentaram 1,3% frente a uma expectativa de alta de 0,1%.
Indicadores de Atividade e Previsões para a Política Monetária
O crescimento foi puxado pelos segmentos de equipamentos e material de escritório, informática e comunicação, que avançaram 4,1% m/m, além de móveis e eletrodomésticos, com alta de 2,3% m/m. Também tiveram contribuição relevante os setores de artigos farmacêuticos, médicos e de perfumaria, que cresceram 2,2%, e representaram o maior desvio positivo das nossas projeções.
Em relação à composição esperada, vendas de carros pesaram negativamente, impactando também a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) na linha de crédito. O resultado do setor de atacarejo também frustrou, embora essa linha seja de difícil modelagem, dado o seu início recente em 2022.
Na sexta-feira (16) houve a divulgação do proxy do PIB. O indicador apontou para um crescimento da atividade de 0,68% m/m, acima da estimativa do mercado (0,40% m/m). Na comparação anual, o índice avançou 1,25%, também superando a expectativa (0,70%).
Houve ainda revisão para cima nas leituras anteriores de cerca de 0,3 ponto percentual no agregado. A composição do dado mostrou um número melhor que o esperado para o setor agropecuário, enquanto a indústria frustrou. O setor de refino de petróleo, de alto valor agregado, isto é, com maior efeito multiplicador para a atividade doméstica, mostrou uma queda relevante, em linha com o momento de aperto monetário do Banco Central.
Mais relevante, a variação interanual trimestral do Índice de Produção e Comércio Industrial (IBC-Br) sugere um crescimento do PIB entre 0,3% e 0,4%, acima das estimativas dos analistas de mercado.
Conclusão: Cenário Econômico e Expectativas de Política Monetária
A desaceleração parcimoniosa da atividade brasileira deve continuar dando suporte para uma política monetária mais restritiva na primeira reunião do Banco Central em 2026. Não por coincidência, o mercado precifica manutenção da Selic para a reunião de janeiro, em linha com a estabilidade dos dados de inflação e mercado de trabalho.
As opções de investimento, como as LCAs (Letras de Crédito Imobiliário) com indexação IPCA+, oferecem diferentes perfis de risco e retorno, sendo importante considerar a reserva de emergência e o horizonte de investimento.
Autor(a):
Redação
Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.