Perspectivas Econômicas para 2026
O final do ano sempre representa uma oportunidade para avaliar o desempenho passado e projetar o futuro. Essa prática, embora artificial, é uma tradição no mundo dos investimentos, e as projeções apresentadas pelas diversas instituições refletem as expectativas do mercado em relação ao ano seguinte.
Em 2025, o cenário global passou por diversas reviravoltas, começando com as expectativas em torno do retorno de Donald Trump à presidência dos EUA.
Eventos e Tendências em 2025
O ano de 2025 foi marcado por eventos como o “Dia da Libertação” em abril, que gerou preocupações sobre o futuro econômico. No entanto, o pragmatismo de Trump e a orientação de Scott Bessent, através do “TACO Trade”, ajudaram a mitigar os impactos negativos.
A discussão sobre uma possível bolha no mercado acionário, impulsionada pela inteligência artificial (IA), persistiu ao longo do ano.
Paralelamente, o Federal Reserve (Fed) reduziu as taxas de juros devido ao enfraquecimento do mercado de trabalho. A China atingiu um superávit comercial histórico de US$1 trilhão, apesar das tensões comerciais com os EUA. Além disso, as bolsas de valores emergentes, incluindo a brasileira, superaram o desempenho das bolsas americanas, considerando a queda do dólar.
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Projeções para 2026
As perspectivas para 2026 são, em geral, otimistas. Analistas apontam para diversos fatores que devem impulsionar o crescimento. Nos EUA, a expansão fiscal, impulsionada pelo orçamento aprovado por Trump, e gastos adicionais para rearmamento na Europa e um novo governo populista no Japão, contribuem para esse cenário.
O Fed também cortou as taxas de juros em 2025, o que deve apoiar o crescimento em 2026.
Apesar das preocupações com a bolha da IA, os investimentos nesse setor devem continuar fortes. O UBS, por exemplo, projeta um crescimento global de 3,3% em 2026, em comparação com 2,9% em 2025.
Riscos e Desafios
Um fator negativo é a perspectiva de que, apesar do corte nas taxas, os juros de longo prazo permaneçam elevados. A queda da demanda por títulos do governo americano, impulsionada pelos bancos centrais, é outro fator relevante. O JP Morgan estima que investidores “sensíveis ao preço” – que não estão sujeitos a restrições de lucro – representam mais de metade do mercado de Treasuries.
Para mitigar esses riscos, o Fed anunciou uma volta à injeção de liquidez no mercado, comprando títulos de curto prazo. Essa medida deve apoiar os mercados no início de 2026.
Inflação e Cenário Econômico
A inflação, influenciada pelas tarifas de Trump, deve ser moderada, permitindo que o Fed continue cortando as taxas de juros. No entanto, a divergência entre setores da economia e dos mercados – com o crescimento da IA contrastando com o baixo consumo das famílias de alta renda – representa um risco significativo.
Essa “economia K”, com setores em oposição, pode levar a instabilidade e falta de robustez no ciclo econômico.
Conclusão
O futuro da economia americana depende, em grande parte, do desempenho da bolsa, que está focada na IA. Para os otimistas, a tecnologia se difundirá, elevando a produtividade e justificando os investimentos. Para os pessimistas, a difusão será demorada, levando a uma queda nos investimentos e à implosão das empresas do setor.
Os mercados e as expectativas apostam no cenário otimista, mas o principal risco é que o cenário pessimista se concretize.
