Banco Central e Mercado: Análise de Dados e Decisões Futuras em 2026

Banco Central analisa dados econômicos e espera manter Selic estável; Varejo e PIB brasileiros superam expectativas.

20/01/2026 13:37

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(Imagem de reprodução da internet).

Análise da Semana no Mercado Financeiro

A semana no mercado financeiro iniciou com uma liquidez reduzida, influenciada pelo feriado de Martin Luther King nos Estados Unidos. O relatório divulgado na quarta-feira trouxe poucas novidades em relação ao diagnóstico já conhecido do mercado, com uma leitura de estabilização do mercado de trabalho e crescimento salarial praticamente inalterado.

Em relação aos preços, persistiram pressões de custos, ligadas a tarifas, energia, seguros e o repasse gradual desses valores aos preços finais, acompanhando o esgotamento dos estoques pré-tarifários.

Índice de Preços ao Produtor e Expectativas de Inflação

O Índice de Preços ao Produtor (PPI) de novembro apresentou um aumento de 0,2% em relação ao mês anterior, abaixo da estimativa de 0,3%. No acumulado de doze meses, o dado acelerou 3,0%. O núcleo do PPI, que exclui alimentos e energia, permaneceu estável (0,0% m/m), também abaixo das expectativas.

Apesar desses dados abaixo das expectativas, não alteraram significativamente as expectativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (PCE), indicador preferido pelo Federal Reserve, que será divulgado nesta quinta-feira (22).

Mercado de Trabalho e Decisões do Banco Central

Os pedidos de seguro-desemprego registraram uma retração de 215 mil para 198 mil na semana do dia 10 de janeiro, e os pedidos continuados também ficaram abaixo das estimativas (1884 mil versus 1897 mil). Embora exista um efeito sazonal típico deste período, os dados sugerem uma estabilidade no mercado de trabalho americano.

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A próxima semana marca o início da rodada de reuniões para a decisão de política monetária do Federal Reserve.

Dados de Consumo no Brasil e Crescimento do PIB

No Brasil, uma parte relevante da agenda macroeconômica foi voltada para os indicadores de atividade. Os dados de vendas no varejo divulgados na quinta-feira (15) apresentaram um crescimento forte acima do esperado (1,0% m/m versus 0,3% m/m), sendo a maior taxa de crescimento para o mês de novembro desde 2021.

Na comparação anual, as vendas aumentaram 1,3% frente a uma expectativa de alta de 0,1%. O crescimento foi puxado pelos segmentos de equipamentos e material de escritório, informática e comunicação, e móveis e eletrodomésticos.

Indicadores de Atividade e Perspectivas para a Política Monetária

A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) e o Índice de Confiança do Consumidor também apresentaram resultados relevantes. A divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) mostrou um crescimento de 0,68% no mês de novembro, acima da estimativa do mercado (0,40% m/m).

Na comparação anual, o índice avançou 1,25%, também superando a expectativa (0,70%). Houve revisão para cima nas leituras anteriores de cerca de 0,3 ponto percentual no agregado. A composição do dado mostrou um número melhor que o esperado para o setor agropecuário, enquanto a indústria frustrou.

Conclusão: Cenário Econômico e Decisões Futuras

A desaceleração parcimoniosa da atividade brasileira deve continuar dando suporte para uma política monetária mais restritiva na primeira reunião do Banco Central em 2026. Não por coincidência, o mercado precifica manutenção da Selic para a reunião de janeiro, em linha com a estabilidade dos dados de inflação e mercado de trabalho.

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