Banco do Brasil e o Agronegócio: Perspectivas em Meio à Inadimplência Recorde
Há mais de um ano, discutir o balanço do Banco do Brasil frequentemente remete à sua atuação no crédito para o agronegócio, especialmente diante do atual cenário de inadimplência que o setor enfrenta. Apesar do impacto significativo nos resultados bancários, o BB deve manter o agronegócio como uma de suas principais fontes de crédito.
O Agro como Pilar Econômico
Gilson Bittencourt, Vice-Presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar, reforçou essa visão durante o evento para investidores BB Day 2026. Segundo ele, o financiamento ao setor agrícola é crucial, pois o agronegócio impulsiona os municípios de pequeno e médio porte e sustenta a balança comercial do país.
Ajustes nas Garantias e Qualidade do Crédito
Em resposta ao aumento da inadimplência, o banco implementou mudanças, como a exigência de garantia real de imóvel, visando maior segurança nos empréstimos. O VP de agro apontou que a porcentagem de garantia real saltou de 31% na safra 2024/25 para 69%.
Felipe Prince, vice-presidente de controles internos e gestão de riscos, previu que a pontualização do crédito no agronegócio atingirá 95% em 2026, um aumento em relação aos 92% projetados para 2025. Vale lembrar que em 2023, esse índice havia chegado a 99%.
Fluxos de Vencimento e Recursos Postergados
Os fluxos de vencimento de financiamentos no agronegócio mostram-se mais equilibrados em 2026 comparado a 2025. Enquanto cerca de 73% dos vencimentos no ano passado estavam concentrados entre abril e setembro, este ano o percentual foi de aproximadamente 60%.
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Dos recursos que foram postergados em cerca de R$ 64,5 bilhões, a carteira renegociada prevê pagamentos de 36% em 2026 e 22% em 2027, seguindo esse cronograma até a quitação total em 2035.
Impactos Geopolíticos e Climáticos no Setor
O contexto geopolítico, especialmente a tensão entre EUA e Irã, será considerado nas operações do banco, mas seu efeito de custo para os clientes só deve aparecer na safra de 2026-27, segundo o VP de gestão de riscos.
Prince mencionou que o banco facilitou a compra antecipada de insumos para os clientes, antecipando o aumento de preços. Ele alertou que se a pressão de preços persistir até junho ou julho, pode haver uma compressão de margem, o que afetará o modelo de 2026-27.
Cautela com as Projeções e o El Niño
Gilson Bittencourt enfatizou a necessidade de cautela nas projeções, dada a grande indefinição do cenário atual. Ele também citou o El Niño como um fenômeno com potencial de impacto tanto positivo quanto negativo na produção, dependendo da região.
Bittencourt relembrou que o excesso de confiança, gerado por períodos de renda alta, levou os produtores a investirem mais em máquinas e terras, criando uma expectativa de margem estável que se mostrou um equívoco. Isso foi seguido por questões climáticas e queda de preços, pressionando as margens em 2024 e 2025.
Organização do Setor Após Desafios
Após o aumento da inadimplência, a Medida Provisória 1314, com o programa “Regulariza Agro”, foi fundamental. Essa iniciativa permitiu iniciar processos com novas garantias, auxiliando os produtores a se reorganizarem financeiramente.
