Mercados Globais em Ajuste com Festividades e Dados Inflacionários
O cenário econômico global apresenta-se em um período de ajuste, marcado principalmente pelas festividades de fim de ano, que levam a uma redução significativa na atividade do mercado financeiro. Diversas geografias permanecem fechadas, impactando o volume de negociações e a liquidez.
Na zona do euro, o Banco Central Europeu (BCE) manteve as taxas de juros inalteradas em 2,00% em uma decisão unânime, conforme o esperado. O comunicado trouxe revisões nas projeções macroeconômicas, com a inflação cheia estimada em 2,1% para 2025, desacelerando para 1,8% em 2027 e retornando a 2,0% em 2028.
O crescimento econômico também foi revisado para baixo, com projeções de 1,4% em 2025, 1,2% em 2026 e 1,4% em 2027, mantendo-se em 1,4% em 2028. A presidente do BCE, Christine Lagarde, enfatizou que o cenário econômico é compatível com um período de estabilidade nas taxas, e o banco manterá uma postura dependente dos dados, sem fornecer sinalização futura (forward guidance).
Dados Inflacionários nos EUA
Nos Estados Unidos, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de novembro divulgou um avanço de 0,2% no acumulado de setembro e novembro. No ano, o índice acelerou 2,7%, o menor nível desde 2021. O aumento foi impulsionado por energia, alimentos e custos de moradia.
Houve uma queda nos preços de hospedagem fora do domicílio, recreação e vestuário. A inflação subjacente (core inflation), que exclui alimentos e energia, também apresentou desaceleração, com alta de 2,6% em 12 meses, puxada pela perda de fôlego no núcleo de serviços.
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O Departamento do Trabalho dos EUA enfrentou dificuldades na coleta de dados de preços de outubro devido ao shutdown do governo, limitando a capacidade de calcular variações mensais e para várias categorias-chave em novembro.
Aperto de Juros no Japão
O Banco Central do Japão (BOJ) elevou a taxa básica de juros em 25 pontos-base, de 0,50% para 0,75%, marcando o nível mais alto em quase 30 anos. A decisão já era amplamente esperada pelo mercado. O BOJ informou que manterá a possibilidade de novas elevações de juros caso a economia e a inflação evoluam em linha com suas projeções, mas a ausência de uma direção mais firme sobre o ritmo de ajustes acabou sendo interpretada de forma morna pelos mercados.
O Governador Kazuo Ueda comentou que as taxas atuais ainda estão abaixo do nível neutro e que o banco continuará atento à dinâmica de salários e inflação ao definir o ritmo de aperto.
Revisão do Banco Central do Brasil
No Brasil, o Relatório de Política Monetária do 4º trimestre divulgou uma revisão para cima nas projeções de crescimento do PIB de 2,0% para 2,3% em 2025 e de 1,5% para 1,6% em 2026. A inflação projetada para o 3º trimestre de 2027 foi fixada em 3,2%.
O modelo da autarquia mostrou a inflação na meta de 3,0% no 1º trimestre de 2028. Embora a variação de até 0,2 ponto percentual tenha sido classificada como “ao redor da meta” por gestões anteriores do BC, os economistas esperavam números mais benignos, o que gerou uma reação para cima da curva de juros após a publicação.
O presidente do Banco Central Gabriel Galípolo enfatizou que o BC não enviou nenhuma mensagem através das projeções e que a autoridade monetária manterá uma abordagem dependente dos dados.
Conclusão: Cenário de Incerteza e Expectativas
O cenário econômico global apresenta-se marcado por incertezas, influenciado pelas festividades de fim de ano e por dados inflacionários que exigem cautela na interpretação. As decisões dos bancos centrais, como o BCE, BOJ e Banco Central do Brasil, e os dados de inflação nos EUA e Brasil, moldarão o futuro das taxas de juros e das expectativas dos mercados.
A análise cuidadosa desses fatores é fundamental para navegar neste ambiente de transição e para identificar oportunidades de investimento.
