Proteção ao Agronegócio Brasileiro em Debate
O ex-chanceler Celso Amorim defendeu nesta quinta-feira, 26, que o Brasil deve aplicar salvaguardas comerciais à União Europeia, caso o bloco utilize o mesmo mecanismo para limitar a importação de produtos do agronegócio nacional. A declaração surge em um momento de crescente preocupação do governo brasileiro com a aprovação do acordo Mercosul-UE, que pode trazer impactos significativos para o setor.
Amorim enfatizou que o Brasil tem o direito de proteger seus produtores, especialmente em setores como lácteos e vinhos, que enfrentam o risco de perder mercado para a concorrência europeia. A posição do ex-ministro reflete a pressão do agronegócio, que representa uma parcela crucial da economia brasileira e que teme as consequências das salvaguardas europeias.
O governo Luiz Inácio Lula da Silva está elaborando um decreto presidencial para regulamentar um sistema de proteção aos produtores nacionais. A medida visa garantir que o Brasil possa responder de forma equilibrada aos mecanismos de defesa estabelecidos pela União Europeia.
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A relatora do acordo Mercosul-UE no Senado, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), também tem sido uma figura central nesse debate, defendendo a necessidade de proteger os interesses nacionais.
Tensão Geopolítica e Segurança Nacional
Em paralelo às discussões sobre o acordo Mercosul-UE, Celso Amorim expressou preocupação com a situação geopolítica global, especialmente as tensões no Oriente Médio. O ex-chanceler criticou a expansão territorial de Israel e as declarações do embaixador americano Mike Huckabee, que defendia um controle maior do Estado Judeu na região.
Amorim alertou que essa situação pode levar a uma guerra mundial.
O diplomata ressaltou a importância de elevar os investimentos em Defesa e na segurança nacional. Ele argumentou que o Brasil não pode considerar que todos os países são “bonzinhos” e que precisa ter capacidade de dissuasão para evitar ataques ao país, seja no litoral ou na Amazônia.
O governo Lula tem demonstrado preocupação com a segurança do território nacional e tem buscado fortalecer as Forças Armadas.
Após o ataque aéreo a Caracas, onde o ditador Nicolás Maduro foi capturado, Celso Amorim reforçou a necessidade de investir em equipamentos e capacidades de resposta. O ex-ministro considera que a situação representa um “sinal de alerta” e que o Brasil deve estar preparado para defender seu território.
