O varejo brasileiro apresenta um cenário de preços baixos, mas Bruno Henriques, diretor-executivo do Research do BTG Pactual, ressalta que isso não garante automaticamente boas oportunidades para investidores. Em seu último comentário para a série, Henriques analisou as complexidades do setor, especialmente considerando o desempenho fraco de dezembro, um período tradicionalmente positivo para o varejo, o que impactou o início de 2026 com menor visibilidade e revisões negativas de lucro para as empresas.
Fatores a Considerar na Escolha de Investimentos
Henriques enfatiza a necessidade de uma abordagem criteriosa ao escolher ações varejistas. Ele destaca que a seleção deve levar em conta o segmento de atuação da companhia e a qualidade da sua execução operacional. A visão do analista é de se manter seletivo, focando em empresas com modelos de negócios resilientes ou diferenciais claros de operação.
Possíveis Impulsionadores de Valorização
O analista aponta dois fatores que poderiam levar a um aumento nos preços das ações do varejo: uma queda sustentada nas taxas de juros de longo prazo e revisões positivas nos lucros das empresas. No entanto, Henriques acredita que as revisões positivas dos lucros são menos prováveis no curto prazo.
Segmentos com Maior Segurança
Diante do cenário macroeconômico desafiador, Henriques sugere que o segmento mais defensivo continua sendo o farmacêutico. A previsibilidade desse setor é impulsionada pela demanda resiliente por medicamentos, os benefícios dos genéricos e a flexibilidade das terapias GLP1.
Cenário para as “Passarelas” e o E-commerce
O analista avalia que o cenário para as empresas de moda (“passarelas”) é menos favorável, devido à falta de momento operacional e à incerteza sobre uma possível desaceleração do consumo. No segmento de e-commerce, com destaque para o Mercado Livre (MELI34), espera-se um crescimento acima do mercado, apesar das preocupações sobre as margens da companhia.
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Conclusão: Visão Seletiva
Em resumo, Henriques reforça a importância de uma abordagem seletiva, priorizando segmentos mais defensivos e empresas com execução comprovada. A baixa cotação do setor não deve ser o único fator determinante na escolha de investimentos, mas sim a visibilidade e a qualidade operacional das empresas.
