Impactos do Conflito no Oriente Médio e o Mercado de Energia
O mundo acompanha de perto o desenrolar do conflito no Oriente Médio e seus reflexos sobre o mercado de energia. A interrupção no Estreito de Ormuz, rota vital para cerca de 20 milhões de barris de petróleo diários, tem pressionado os preços das commodities para cima.
Em março de 2026, com um mês de guerra em curso, a situação ainda se encaixava nas projeções dos Estados Unidos, entre quatro e seis semanas. A principal incerteza reside no futuro do conflito e, consequentemente, no impacto nos preços da energia.
Análise do Mercado Energético
O analista da Empiricus Research, Matheus Spiess, destaca que o mercado de energia é altamente sensível a choques de oferta. A dificuldade em prever a duração e a intensidade do conflito no Oriente Médio amplifica a incerteza e gera um “prêmio” nos preços.
Episódios como este geram dúvidas sobre se o movimento observado nos mercados é conjuntural, ligado ao conflito, ou se representa um ciclo mais amplo de valorização.
Spiess ressalta que a situação atual pode dar início a um ciclo de valorização mais estrutural do que circunstancial. O mercado enfrenta um déficit expressivo, com o mundo “short” em 12,6 a 13,4 milhões de barris por dia, equivalente a 13% do consumo global.
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Apesar dos esforços para compensar a perda de fluxo por Ormuz, o resultado é um déficit estrutural, com apenas 7 a 7,8 milhões de barris por dia sendo repostos.
Inflação e Fertilizantes
Além do impacto no mercado de energia, o conflito no Oriente Médio gera riscos para a inflação dos alimentos, especialmente no Brasil. A disrupção no fluxo de petróleo também afeta a produção de fertilizantes, já que quase metade dos importados pelo Brasil passa pela região de conflito.
Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Omã se consolidaram como fornecedores de fertilizantes nitrogenados desde 2020, atendendo também a Índia, Estados Unidos e países do Sudeste Asiático.
Ciclos de Valorização e Oportunidades
Matheus Spiess pondera que o conflito em Ormuz marca o início de um possível novo ciclo das commodities, seguindo a dinâmica observada em ciclos anteriores. O movimento costuma começar com metais preciosos, seguidos por metais industriais e, posteriormente, o setor de energia.
A análise de Spiess aponta para um rali que não é isolado, mas parte de um ciclo mais amplo de valorização das commodities.
O analista acredita que o cenário atual apresenta oportunidades de investimento, especialmente em ativos relacionados a energias, materiais e infraestrutura, em um mundo que se reorganiza em blocos de influência, com segurança e resiliência ganhando importância.
A combinação do aumento da demanda por commodities e um ambiente inflacionário persistente reforça a atratividade de ativos ligados a recursos naturais. Um ambiente de dólar globalmente mais fraco também pode indicar um ponto de inflexão nos mercados.
Em tempos de conflito, é importante incluir no portfólio ativos que se beneficiam da escassez e da pressão sobre os recursos naturais. Para saber como aproveitar as oportunidades que surgem das crises, vale conhecer qual o investimento dedicado para tempos de conflito.
A negociação de cotas em bolsa pode ocorrer por valores superiores ou inferiores ao valor patrimonial das cotas (NAV). Aspectos tributários podem variar conforme o tipo de ETF, a jurisdição do índice de referência e o perfil do investidor. A rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.
Assim, não é possível prever o desempenho futuro de um investimento a partir da variação de seu valor de mercado no passado. A RENTABILIDADE DIVULGADA NÃO É LÍQUIDA DE IMPOSTOS.
