Correios registram prejuízo de R$ 6,1 bilhões em 2025 e afetam contas do governo
Correios registram prejuízo de R$ 6,1 bilhões em 2025 e impactam contas do governo. Desempenho ruim da estatal preocupa e pode levar a contingenciamento.
Prejuízos Recorde nos Correios em 2025
Os Correios registraram um aumento expressivo nos prejuízos financeiros durante o período de janeiro a setembro de 2025. O déficit acumulado neste intervalo atingiu R$ 6,1 bilhões, um valor quase três vezes superior ao registrado no mesmo período de 2024.
Os dados, divulgados nesta sexta-feira (28), evidenciam a deterioração contínua das contas da empresa, que já enfrentava perdas desde 2023. O terceiro trimestre apresentou um déficit adicional de R$ 1,7 bilhão, somando um prejuízo total de R$ 4,4 bilhões no primeiro semestre.
A receita total da estatal diminuiu para R$ 12,35 bilhões, representando uma redução de 12,7% em comparação com os R$ 14,15 bilhões arrecadados no ano anterior.
Paralelamente, as despesas gerais e administrativas aumentaram 53,5%, elevando-se de R$ 3,14 bilhões para R$ 4,82 bilhões. A empresa atribui esse crescimento ao avanço de ações trabalhistas consideradas desfavoráveis.
Os custos operacionais apresentaram uma leve queda, totalizando R$ 11,69 bilhões, em comparação com R$ 11,85 bilhões no mesmo período de 2024.
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Impacto na Política Fiscal
A situação financeira dos Correios tem consequências para o governo. A equipe econômica revisou a projeção de déficit primário da empresa, elevando-o para R$ 5,8 bilhões em 2025, mais do que o dobro da estimativa anterior.
Esse resultado afeta as contas públicas, com a expectativa de que as estatais federais encerrem o ano com saldo negativo de R$ 9,2 bilhões, acima da meta estabelecida.
O secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, classificou o desempenho da empresa como “muito ruim”, destacando o impacto negativo no fechamento fiscal do 5º bimestre. Ele mencionou o risco de contingenciamento maior em 2026, devido ao desempenho da estatal.
Durigan solicitou ao presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon, a apresentação de um plano de reestruturação mais robusto. Uma das opções em análise envolve um empréstimo de R$ 20 bilhões, por meio de um consórcio de bancos.
Sem Privatização, por Enquanto
Apesar da escalada dos prejuízos, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, descartou a privatização dos Correios. Em entrevista à GloboNews, Haddad afirmou que “não há debate dentro do governo sobre privatização”, ressaltando que qualquer apoio financeiro do Tesouro dependerá do plano de reestruturação e de avanços na gestão da empresa, que já registra 12 trimestres de perdas consecutivas.
Até setembro, o governo não pretendia recorrer a aportes diretos para auxiliar a estatal.
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