DCE da USP aprova greve após protestos na Cidade Universitária; o que vem por aí?

DCE da USP aprova greve após protestos na Cidade Universitária! Saiba quais pautas estudantis foram votadas e o que a Reitoria prometeu. Clique e confira!

15/04/2026 23:07

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(Imagem de reprodução da internet).

DCE da USP Aprova Greve Após Protestos na Cidade Universitária

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade de São Paulo (USP) decidiu entrar em greve. A votação que aprovou a paralisação ocorreu nesta quarta-feira, dia 15, durante uma assembleia de estudantes realizada na Cidade Universitária, na zona oeste da cidade.

A deliberação foi tomada no vão da FFLCH, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Durante o encontro, os manifestantes protestaram contra a reitoria da USP, que, até o momento da publicação, não havia emitido declaração sobre a decisão estudantil.

Pautas Estudantis em Foco nas Negociações

O movimento estudantil aproveitou a paralisação para colocar diversas pautas em negociação. Entre elas, estão melhorias no bandejão, o restaurante universitário, e a implementação de um vestibular direcionado para pessoas indígenas e cotas específicas para pessoas trans.

Além disso, foram levantadas demandas específicas de diversas faculdades, mostrando a abrangência das reivindicações dos alunos. A Reitoria da USP, por sua vez, comunicou um investimento de cerca de R$ 461 milhões no Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), beneficiando quase 16 mil estudantes.

Posicionamento da Universidade e dos Estudantes

A administração universitária garantiu que a qualidade dos restaurantes universitários é monitorada por nutricionistas e administrativamente, afirmando que houve alertas e advertências às empresas responsáveis. Contudo, os estudantes seguiram com a decisão de greve.

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O Sintusp, Sindicato dos Trabalhadores da USP, comemorou a greve, declarando que estudantes e trabalhadores formam o “coração pulsante da universidade” e que lutarão juntos por um ambiente mais igualitário.

Contexto da Paralisação e Demandas dos Servidores

A paralisação estudantil segue um movimento iniciado na terça-feira, dia 14, por servidores da USP. Os funcionários protestam contra um bônus de valor extra destinado exclusivamente aos professores, aprovado no final de março pelo reitor Aluisio Segurado.

Essa gratificação pode adicionar até R$ 4.500 aos salários de docentes que apresentarem novos projetos, visando “reter talentos”. A medida, que custará à USP cerca de R$ 238 milhões anualmente, beneficia apenas professores em tempo integral.

A Questão da Isonomia Salarial

Os funcionários argumentam que a gratificação exclusiva aos docentes fere o princípio da isonomia. Eles propõem que o montante total destinado aos professores seja distribuído entre todos os funcionários, o que representaria um reajuste salarial de até R$ 1.600 para os trabalhadores.

Solange Conceição Lopes, diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP, reforçou que o trabalho dos funcionários é essencial para a pesquisa e as aulas. A entidade também pleiteia a recomposição integral das perdas inflacionárias desde 2012, totalizando 14,5%.

Próximos Passos e Reações Institucionais

Com a aprovação do DCE, os centros acadêmicos de cada curso deverão convocar assembleias próprias para decidir sobre a adesão ao movimento. A paralisação já havia sido endossada pelo grêmio estudantil da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da USP e pelo Conselho das Entidades da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH).

Em nota, o DCE mencionou que estudantes de mais de 100 cursos pararam suas atividades, inspirados pelos funcionários que lutam por reajuste salarial e isonomia, mesmo sob ameaças de corte de ponto. Os estudantes criticaram a falta de ampliação de acesso e a ausência de discussão sobre cotas trans e vestibular indígena.

A Reitoria da USP informou que houve reunião com representantes estudantis na terça-feira e que propôs a criação de grupos de trabalho para tratar das demandas. Apesar disso, os estudantes mantiveram a decisão de greve, reafirmando o compromisso com um diálogo construtivo, mas pautado nas necessidades de todos os segmentos.

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