Dólar Cai sob Pressão: Cenário Econômico e Político Turbulento Domina Mercado em 2026

Dólar Recua em Meio a Cenário Econômico e Político Complexo
Na segunda-feira (18), o dólar à vista apresentou uma performance mais moderada em relação ao real, revertendo parcialmente a forte alta observada no dia anterior. A cotação, que havia ultrapassado R$ 5,06, agora flutuava em torno de R$ 5,012, refletindo a atenção dos investidores a diversos fatores, incluindo o cenário econômico global, as notícias políticas internas e os indicadores de atividade econômica divulgados durante a manhã.
Dados Econômicos e Perspectivas
Às 11h, o dólar comercial registrava uma queda de 1,10%, situando-se em R$ 5,012. Paralelamente, o dólar futuro para junho, o contrato mais líquido no mercado brasileiro, também apresentava uma retração de 0,36% na B3, com preço em R$ 5,056. O Banco Central divulgou dados relevantes, indicando que o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) registrou uma queda de 0,7% em março, em comparação com fevereiro, ajustado sazonalmente.
Esse resultado superou as expectativas de uma redução de 0,2% e representou a primeira queda mensal desde setembro de 2025.
Apesar da queda mensal, o IBC-Br ainda apresentou um crescimento acumulado de 1,3% no primeiro trimestre do ano, sendo considerado um indicador importante para a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) oficial, que será divulgado no final do mês. A percepção do mercado é que a queda no IBC-Br diminui as chances de novas reduções na taxa Selic, atualmente em 14,50% ao ano, devido à pressão inflacionária causada pela guerra no Oriente Médio.
Desenvolvimentos Políticos e Impacto no Mercado
Adicionalmente, informações divulgadas por uma fonte paquistanesa à Reuters indicaram que o país compartilhou com os Estados Unidos uma proposta revisada do Irã para solucionar o conflito. Embora os detalhes da proposta não tenham sido revelados, a informação gerou incertezas e influenciou o mercado.
Leia também
O petróleo Brent também cedia, mas mantinha-se em patamar elevado, em torno de US$108 o barril.
Internamente, investidores acompanhavam de perto os desdobramentos do escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro. Uma reportagem do Intercept Brasil revelou que Flávio teria solicitado a Vorcaro R$134 milhões para financiar um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O senador negou as acusações e justificou a busca por recursos privados para um projeto sobre a história do pai, sem oferecer vantagens em troca.
A ligação de Flávio com Vorcaro tem gerado expectativas sobre a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em outubro. A continuidade do governo Lula é vista como um fator negativo para o ajuste das contas públicas, impactando a percepção do mercado em relação ao real.
Análise do Mercado e Expectativas
O diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, observou que o otimismo em relação ao real diminuiu devido à notícia do escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro, e que o mercado pode continuar ajustando posições em relação às eleições.
Ele também alertou para a possibilidade de o Federal Reserve (Banco Central dos EUA) elevar as taxas de juros ainda neste ano, além de antecipar mudanças no fluxo cambial a partir de julho, influenciadas pela safra agrícola, e um aumento da volatilidade devido à disputa eleitoral.
A expectativa é que o mercado reduza o espaço para novas quedas do dólar, especialmente após a desvalorização da moeda.
Autor(a):
Redação
Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.


