Recentemente, tem havido um interesse crescente em relação à figura do “consultor independente” de investimentos. Essa figura surge como uma alternativa, prometendo uma relação de orientação totalmente alinhada aos interesses do investidor, livre dos pressões típicas do mercado financeiro.
A ideia é atraente, pois sugere a existência de uma relação purificada entre quem oferece orientação e quem investe. No entanto, a realidade é mais complexa. Mesmo com a intenção de evitar conflitos de interesse, é comum que consultores e assessores enfrentem desafios nesse sentido.
A complexidade reside no fato de que nenhum modelo consegue eliminar completamente os incentivos financeiros existentes no mercado. Em vez disso, esses incentivos se manifestam de diferentes formas.
É importante reconhecer que o mercado é influenciado por fatores humanos, o que implica que a busca por soluções perfeitas é, em certa medida, ilusória. O ponto crucial não é negar a existência de incentivos, mas sim entender como eles operam.
A discussão sobre consultores e assessores deve ser vista como uma reflexão sobre a autonomia do investidor e a forma como essa relação é construída. O foco principal é o modo como o investidor é tratado e o tipo de confiança estabelecida.
LEIA TAMBÉM!
A Empiricus, desde sua fundação, acredita que o investidor pessoa física deve ser tratado como um adulto, capaz de interpretar informações, avaliar riscos e tomar decisões de forma independente. A sociedade brasileira, em geral, possui traços paternalistas, e isso se acentua no contexto de investimentos para pessoas físicas.
O mercado frequentemente insiste em proteger o investidor de si mesmo, o que não é uma prática sustentável a longo prazo. A regulação e a transparência são importantes, mas não substituem a responsabilidade individual do investidor nem garantem a maturidade por decreto.
A missão da Empiricus tem sido apresentar informações de forma direta e honesta, sem interesses ocultos, confiando na capacidade do assinante de tomar decisões informadas. Acreditamos que a informação transparente e sem interesses é fundamental para decisões melhores.
Ao analisar o debate sobre consultores e assessores, é essencial questionar se a estrutura proposta respeita a autonomia do investidor ou tenta substituí-la. A Empiricus sempre optou pela relação direta, onde o assinante apoia a empresa se ela entrega valor real, abandonando-a caso contrário.
A independência surge dessa relação limpa, sustentada exclusivamente pela confiança do assinante. No final, não existe modelo perfeito, mas sim a combinação entre clareza, maturidade e responsabilidade. A autonomia do investidor continua sendo a verdadeira proteção.
Tratar o investidor como adulto é uma escolha essencial, e no longo prazo, é ela que separa quem constrói confiança de quem apenas distribui narrativas.
