EUA priorizam ideologia em negociações, alerta Rubens Barbosa
Embaixador aposentado do Brasil em Londres e Washington diz que conversa destrava relação entre os 2 governos.
Negociações Brasil-EUA Priorizarão Aspectos Comerciais, Avalia Ex-Embaixador
O embaixador aposentado Rubens Barbosa avalia que as conversas entre Brasil e Estados Unidos serão focadas em questões práticas, deixando de lado considerações ideológicas nas negociações sobre a revisão das tarifas impostas pelos norte-americanos a produtos brasileiros importados. Em declarações ao Poder360 na segunda-feira (6.out.2025), Barbosa afirmou que a conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump (Partido Republicano) foi crucial para potencialmente desbloquear as sanções impostas ao Brasil.
Detalhes da Conversa Telefônica e Pedido de Lula
Barbosa declarou: “Eu acho que lá nos Estados Unidos vão separar a política, a ideologia da parte comercial. É possível que essas punições continuem, mas sem afetar a negociação comercial. Agora, a gente tem que ver. A gente não sabe o que vai acontecer”, disse. A nota oficial do governo brasileiro, divulgada pelo Planalto, informou que Lula solicitou a Trump a retirada das sanções, descrevendo o contato como uma oportunidade para a restauração das relações de 201 anos entre as duas maiores democracias do Ocidente.
Foco na Economia e Comércio
A comunicação de Trump, publicada em sua rede social Truth Social, enfatizou a “ênfase principal foi economia e comércio”. Barbosa afirmou que Trump não mencionou as punições impostas a autoridades brasileiras, como o caso do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, submetido à Lei Magnitsky. A conversa telefônica se concentra na economia e no comércio, com o objetivo de mitigar os impactos das tarifas impostas.
Pragmatismo e Impacto Econômico
Para Barbosa, a aproximação do Brasil com os EUA é motivada pelo pragmatismo, devido ao impacto das tarifas em empresas americanas, incluindo setores como a carne e o café. Ele observou que a situação pode repercutir na inflação, além da pressão exercida por empresas americanas. A decisão reflete o interesse americano, sem considerar diretamente os interesses do Brasil.
Papel do Secretário Marco Rubio
Barbosa ressaltou que a escolha do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, para ser o principal interlocutor com o Brasil, tem uma justificativa técnica, relacionada à lei de emergência econômica americana, que é operada pelo Departamento de Estado. A lei americana, e não o Departamento do Comércio ou o Departamento do Tesouro, é a base para as tarifas impostas a diversos países, incluindo o Brasil.
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Redação
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