Felipe Miranda aponta falha na interpretação das eleições de 2018 e 2022 no Brasil
Felipe Miranda, da Empiricus, critica interpretação das eleições de 2018 e 2022, apontando antipetismo e antibolsonarismo como fatores cruciais. Analista prevê impacto em 2026 e no mercado
Felipe Miranda, CEO e estrategista-chefe da Empiricus, identifica uma falha na interpretação das eleições presidenciais brasileiras de 2018 e 2022. Segundo ele, o resultado das eleições não refletiu a escolha direta de um candidato, mas sim uma reação ao cenário político vigente.
Miranda argumenta que, na eleição de 2018, o apoio ao candidato Bolsonaro foi impulsionado pelo antipetismo, e da mesma forma, na eleição de 2022, o resultado não representou a vitória do próprio Lula, mas sim o antibolsonarismo.
Reações Iniciais e Contexto Internacional
Miranda destaca que a reação inicial do mercado financeiro à eleição de Lula em 2022 foi positiva, influenciada pela percepção de que o governo representaria uma frente ampla. Ele menciona que, entre 2003 e 2007, o governo Lula gerou lucros, principalmente na Europa, devido à imagem de um governo que não destruía a Amazônia.
Essa percepção inicial foi crucial para o mercado.
Desafios e Perspectivas Futuras
O analista também aponta para fatores que prejudicaram as chances de reeleição de Bolsonaro, como a percepção de má gestão da pandemia, seu comportamento e a falta de alinhamento com os princípios democráticos. No entanto, após três anos do governo Lula, Miranda observa um saldo negativo para o mercado financeiro, devido a políticas consideradas “frouxas” e excesso de intervenção na economia.
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Eleições de 2026 e Impacto no Mercado
Em relação às eleições presidenciais de 2026, Miranda acredita que o evento ainda exerce influência sobre o mercado, mas que outros fatores, como o fluxo para emergentes e as expectativas de queda de juros, também desempenham um papel importante.
Ele prevê que, a partir de abril do próximo ano, a chegada do período eleitoral pode ser um momento decisivo, especialmente se houver certeza de uma política fiscal mais responsável em 2027.
Possíveis Cenários e Impacto na Bolsa
Miranda estima que, se a direita vencer a eleição, a bolsa de valores pode ultrapassar os 200 mil pontos. Ele ressalta que o investidor local não precisa se preocupar excessivamente com o resultado, pois o investidor estrangeiro considera um espectro mais restrito de possibilidades entre as candidaturas.
Ele compara a situação com a comparação entre a candidatura de Tarcísio de Freitas e a de Lula.
Tendências Globais e Eleições na América Latina
Miranda também comenta sobre a dificuldade crescente de reeleição de incumbentes no mundo. Ele observa que a máquina política se tornou um fator negativo. Além disso, ele destaca o ciclo de retorno da direita no poder em diversos países da América Latina, como na Argentina, Bolívia e Chile.
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