Ibovespa Avança em Meio à Turbulência do Oriente Médio
O Ibovespa tem demonstrado resiliência em meio aos ventos incertos gerados pelo conflito no Oriente Médio. O principal indicador da Bolsa brasileira registrou uma alta expressiva de 5,5% em abril, alcançando uma máxima histórica nominal superior a 198 mil pontos.
Esse movimento positivo é impulsionado, em grande parte, pelo significativo fluxo de capital estrangeiro. Somente no mês de abril, mais de R$ 14 bilhões foram injetados na renda variável local até o fechamento do pregão de terça-feira, dia 14. Projeta-se que, em 2026, esse valor se aproxime de R$ 70 bilhões, um aumento considerável comparado aos R$ 25,4 bilhões registrados no fluxo gringo do ano anterior.
A Busca por Lucros em um Mercado Seletivo
Embora o cenário geral seja favorável para quem investe na Bolsa brasileira, surge a dúvida sobre a possibilidade de obter lucros expressivos. A Empiricus aponta que, sim, é possível, mas exige muita cautela e seletividade na escolha das empresas.
A casa de análise ressalta que, embora a bolsa não seja mais um terreno fácil para apostas generalizadas, ainda existem ações com grande potencial de valorização. Com isso, foi montada a carteira Top Picks, selecionando dez empresas brasileiras que, segundo os analistas, oferecem retornos consistentes com risco adequado.
Destaques da Carteira Top Picks: VALE3 e Prio (PRIO3)
Vale (VALE3): Potencial de Desbloqueio de Valor
Uma das ações em destaque é a Vale (VALE3). Os analistas observaram resultados sólidos da companhia no quarto trimestre de 2025 e uma simplificação operacional notável. Além disso, a empresa se beneficia da manutenção do preço do minério de ferro acima dos US$ 100 por tonelada.
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Segundo a análise, a queda de 6% na ação em março foi injustificada, considerando a resiliência dos preços do minério e o desconto de múltiplos em relação aos pares estrangeiros. Um analista apontou que a Vale negocia a 4,5 vezes o Ebitda, enquanto concorrentes australianas estão cotadas entre 6 e 7 vezes.
Vale Base Metals: A Joia da Coroa
O analista Ruy Hungria considera a Vale Base Metals como a “joia da coroa”. Esta vertical lida com metais básicos cruciais para a transição energética e deveria ter um valuation de 8 ou 9 vezes o Ebitda. Atualmente, a Vale inteira é avaliada em apenas 4,5 vezes o Ebitda.
Isso sugere que o mercado foca apenas no minério de ferro, desconsiderando o valor da Vale Base Metals, que tende a liberar mais valor nos próximos anos. Soma-se a isso o fato de a receita ser dolarizada, um ponto positivo em momentos de incerteza global.
Prio (PRIO3): Impulso em Commodities Energéticas
Outra commodity recomendada é a Prio (PRIO3), grande produtora independente de óleo no Brasil. A ação teve um desempenho expressivo, subindo 50% em 2026 até o fechamento da última quarta-feira, dia 15.
O otimismo se deve a fatores macroeconômicos, como o aumento da receita impulsionado pela guerra no Oriente Médio, que eleva os preços das commodities de energia. No âmbito microeconômico, a exploração do campo Wahoo, iniciada recentemente, deve adicionar cerca de 40 mil barris por dia (boe/d) à produção ao longo de 2026.
Adicionalmente, o campo Peregrino deve somar mais 55 mil boe/d no ano. No primeiro trimestre de 2026, a Prio já reportou 155 mil barris por dia, um aumento de 42% comparado ao mesmo período de 2025, indicando melhoria na rentabilidade.
Nubank (ROXO34): Potencial Latino-Americano
Embora não seja listado na Bolsa brasileira, o BDR ROXO34, referente ao Nubank, é outra recomendação. A fintech é uma das maiores do mundo, atendendo mais de 120 milhões de clientes em Brasil, México e Colômbia.
Os analistas veem um potencial de penetração elevado na América Latina, graças ao seu modelo de baixo custo e alta escalabilidade. No México, por exemplo, o Nubank atinge 13% da população adulta e 25% das emissões de cartão, mas ainda há grande espaço devido ao uso de dinheiro em espécie.
A tese de investimento é reforçada por pilares como a capacidade de refinar o crédito para a baixa renda e a atratividade do valuation. Com um ROE de 28% e lucro esperado de crescimento de 40% em 2026, a ação negocia um Preço/Lucro de 20,8 vezes, abaixo da média histórica de 28,3 vezes.
Conclusão: Estratégia de Investimento em 2026
A análise aponta que, apesar dos desafios geopolíticos, o mercado brasileiro apresenta oportunidades em setores específicos. Acompanhar o fluxo estrangeiro e focar em empresas com fundamentos sólidos, como as citadas, pode ser o caminho para buscar retornos relevantes no cenário atual.
