Lula Reage com Cautela à Rejeição de Messias no Senado: Estratégia em Jogo

Governo Lula avalia com pessimismo rejeição de Messias no Senado. Estratégia busca apoio de Hugo Motta para evitar retaliações e manter governabilidade.

30/04/2026 08:42

3 min

Lula Reage com Cautela à Rejeição de Messias no Senado: Estratégia em Jogo
(Imagem de reprodução da internet).

Reação Cautelosa do Governo Lula à Derrota de Messias no Senado

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou com cautela e um certo pessimismo a decisão do Senado de rejeitar a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). A estratégia atual é buscar condições para manter a governabilidade, evitando, por ora, uma retaliação direta contra o presidente da Câmara dos Deputados, Davi Alcolumbre (União-AP).

A avaliação do governo aponta para a importância de Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, como um ator-chave para avançar com as pautas prioritárias no Congresso até as eleições de outubro. A pressão do governo busca o apoio de Motta para garantir o andamento de projetos importantes.

Apesar do revés, o governo não pretende deixar a situação sem resposta. Petistas já defendem a reedição da campanha “Congresso Inimigo do Povo”, iniciada após a derrubada do decreto que ampliava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no ano passado.

A estratégia visa mobilizar a militância de Lula em manifestações públicas e nas redes sociais contra o Congresso.

Na Câmara, o entendimento é que Motta pode atuar em sintonia com o Palácio do Planalto, embora existam percepções de que ele tem uma postura de “morde e assopra”. A aprovação de Odair Cunha, ex-deputado do PT, como ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), e a escolha de Alencar Santana para presidir a comissão especial da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a escala de trabalho 6×1, são vistas como sinais positivos.

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Alianças e Desconfianças no Congresso

O deputado Jilmar Tatto (PT-SP), vice-presidente do partido, ressaltou que a atuação de Hugo Motta pode levar o governo a se alinhar com a pauta nacional defendida por Lula. “Com Hugo Motta a tendência é apoiar o Lula por causa da questão da Paraíba”, afirmou Tatto.

No entanto, outros membros do PT consideram que Motta também é parte da crise desencadeada pela derrota de Messias. Há uma percepção de que ele não age de forma totalmente desalinhada com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), um de seus principais padrinhos políticos.

Reações e Alternativas no Senado

Mesmo entre os críticos a Alcolumbre, existe uma avaliação de que a nomeação ou não de cargos indicados por ele deve passar por uma análise minuciosa do governo. O foco principal, nesse momento, é a pressão por manifestações contra a cúpula do Congresso.

A derrota de Messias também gera desconfianças entre o PT e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG). Embora o partido do parlamentar tenha declarado apoio ao indicado de Lula, Pacheco se manteve reservado em relação à questão. Houve uma expectativa de que ele se candidatasse a governador de Minas Gerais e desse palanque para Lula, mas essa possibilidade é agora encarada com ceticismo.

O PT já analisa a possibilidade de indicar outros nomes para o cargo, como o deputado Reginaldo Lopes (PT) e o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT). O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), demonstrou surpresa com o resultado da votação.

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