Mercado Acionário Global em Modo Defensivo
Os mercados acionários globais operam em um cenário mais defensivo, com perdas disseminadas nas ações americanas. O setor de logística e tecnologia também está sob pressão, impulsionado pelo crescente “medo da IA”. A aversão ao risco se espalhou rapidamente, afetando o ouro e a prata, enquanto investidores buscaram refúgio nos Treasuries, antecipando a divulgação de dados econômicos nos Estados Unidos em janeiro.
Esse movimento se dá em meio a dados robustos do mercado de trabalho, que diminuíram as expectativas de cortes futuros nas taxas de juros pelo Federal Reserve.
Fatores de Pressão no Mercado
A decisão da Câmara dos EUA de entrar em recessão sem votar o orçamento do Departamento de Segurança Interna, que reabre o risco de uma nova paralisação parcial do órgão, e dados mais fracos do mercado imobiliário, com queda expressiva de 8,4% nas vendas de casas usadas em janeiro, contribuíram para o movimento de queda.
A queda de quase 3% do petróleo também pressionou Petrobras, devido à perspectiva de excesso de oferta e comentários de Donald Trump sobre um possível acordo entre EUA e Irã, embora notícias recentes sobre o envio de um porta-aviões americano ao Oriente Médio possam reacender tensões geopolíticas e sustentar o preço do barril.
O Impacto da Inteligência Artificial
O receio dos efeitos da inteligência artificial avançou para setores tradicionalmente considerados “velha economia”, atingindo de forma abrupta empresas de logística e transporte. A Algorhythm Holdings, antiga empresa de karaokê, divulgou ganhos de eficiência operacional com o uso de IA, reacendendo temores de disrupção e potencial eliminação de postos de trabalho.
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A reação foi imediata, com ações como CH Robinson Worldwide e Landstar System liderando as quedas, sinalizando um aumento generalizado da aversão ao risco. O episódio reforça a percepção de que a ansiedade associada à IA não se limita ao setor de tecnologia e não poupa modelos de negócio mais tradicionais.
Perspectivas para o Futuro
Apesar da inteligência artificial podendo ter um impacto profundo na economia, ela não oferece base para cortes preventivos de juros neste momento. Os ganhos de produtividade associados à IA ainda não são disseminados nem estruturais, e a expansão da IA pode gerar pressões inflacionárias.
Mesmo em um cenário de desinflação futura, a IA tende a elevar a taxa neutra real de juros, tornando a política monetária do Federal Reserve mais acomodatícia.
A Dinâmica Europeia e a Ascensão de Trump
Às vésperas da Conferência de Segurança de Munique, o debate europeu se dá sob a percepção de que Donald Trump está desmontando a ordem internacional pós-Guerra Fria. Na prática, sua política externa se concentra em uma renegociação de arranjos existentes, e não em uma ruptura estrutural (pelo menos por enquanto).
O episódio envolvendo a Groenlândia ilustra essa dinâmica, com a resolução de uma crise aguda por meio de ajustes marginais em acordos que já garantiam amplo acesso militar americano ao território. Entre EUA e China, a Europa permanece presa a uma retórica de autonomia estratégica que não encontra respaldo nem em meios materiais nem em coesão política suficiente para ser exercida.
Um Alívio Alemão
A recente e expressiva alta dos pedidos industriais na Alemanha, próxima de 20%, pode inflar a percepção do impulso de curto prazo da economia, pois os ganhos estão concentrados em segmentos como o de defesa, que operam próximos do limite de capacidade.
Indicadores de alta frequência apontam para uma retomada gradual em um ambiente desafiador, marcado por comércio global enfraquecido, tarifas, perda de competitividade e uma demanda automotiva mais fraca na Europa.
