Mercado em Defesa e Riscos Globais Elevados em 2026

Mercado em Defesa e Cenário Global Complexo com Pressões de Trump e Irã

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(Imagem de reprodução da internet).

Mercado em Defesa e Cenário Global Complexo

Os mercados iniciaram a semana em postura defensiva, enfrentando pressões de dois focos principais. A primeira, a tentativa do ex-presidente Donald Trump de interferir na política monetária do Federal Reserve, com a ameaça de uma investigação contra Jerome Powell, reacende dúvidas sobre a autonomia do banco central americano e eleva o risco institucional nos Estados Unidos.

Em paralelo, a deterioração do quadro no Irã, com protestos duramente reprimidos, aumenta a probabilidade de alguma iniciativa militar americana. Esse ambiente de incerteza estimula a busca por ativos de proteção, impulsionando a demanda por ouro e o franco suíço, por exemplo.

A agenda econômica se mostra intensa, com a temporada de balanços nos EUA começando, acompanhada da divulgação da inflação de dezembro, do PPI, das vendas no varejo e dos discursos de dirigentes do Federal Reserve. Na Ásia, as bolsas avançam impulsionadas por forte volume de negócios na China, enquanto Europa e Estados Unidos operam com cautela.

O petróleo recua levemente, mesmo diante da instabilidade no Irã, um fator que, de fato, representa um risco estrutural para a economia global, dada a importância do país no controle do Estreito de Ormuz e suas reservas de petróleo.

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Dados Domésticos e Eleições no Horizonte

No Brasil, a atenção se volta para os dados de atividade de novembro, incluindo serviços, varejo e o IBC-Br. O Ibovespa acompanhou o movimento estrangeiro, flertando com os 164 mil pontos, mas perdeu força no período da tarde, encerrando o pregão com alta modesta, pouco acima dos 163 mil pontos.

Apesar disso, acumulou valorização de 1,76% na semana, sustentado pela inflação doméstica dentro da banda da meta e pelos sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho nos EUA. A inflação, embora em linha com o que já havíamos discutido, inspira cautela, com a pressão ainda concentrada nos serviços e os bens relativamente comportados.

O IPCA fechou 2025 dentro da meta, mas permanece acima do centro, e a melhora mais consistente dos núcleos deve ficar concentrada a partir de 2026. Já o índice cheio tende a mostrar alívio mais rápido no primeiro semestre deste ano, puxado por fatores pontuais.

A expectativa de corte de juros por março ainda persiste, embora conduzido de forma gradual e cuidadosa pelo Banco Central, dado que as expectativas seguem desancoradas, em grande parte por incertezas fiscais, tema que dificilmente será resolvido antes das eleições de 2026.

A política volta a ganhar peso na formação de expectativas, com a Quaest divulgando a primeira pesquisa presidencial do ano.

Cenários e Riscos Globais

A pesquisa presidencial, que testou sete cenários de primeiro e segundo turno, com nomes como Lula, Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior, ajuda a calibrar o “trade eleitoral”, que tende a ganhar força nos próximos meses.

Esse cenário eleitoral, com suas incertezas, adiciona uma camada extra de complexidade ao ambiente de negócios, influenciando a percepção de risco e a tomada de decisões de investimento.

Nos EUA, os investidores receberam de forma construtiva o relatório de empregos mais recente, destacando a queda da taxa de desemprego para 4,4%, ainda que a geração de vagas em novembro e dezembro tenha ficado aquém das expectativas. A leitura foi suficiente para sustentar um movimento de alta nos principais índices, impulsionados, em parte, pelo segmento de tecnologia, com a notícia de que a Meta firmou acordos para garantir fornecimento de energia nuclear a seus data centers, reforçando a narrativa de investimentos estruturais ligados à inteligência artificial.

No entanto, o quadro estrutural inspira cautela, com o ano de 2025 terminando como o pior para a criação de empregos fora de períodos de recessão desde 2003, com média mensal de apenas 49 mil novas vagas.

Investimentos e Crises Energéticas

A Meta anunciou acordos com a TerraPower, a Oklo e a Vistra para utilizar energia nuclear no abastecimento de seu data center de inteligência artificial Prometheus, em Ohio. Os contratos garantem acesso a até 6,6 gigawatts de energia nova e existente até 2035 — volume equivalente ao consumo de aproximadamente 5 milhões de residências.

A decisão ilustra de forma clara a…

Enquanto isso, o presidente Donald Trump intensificou sua pressão sobre as grandes petrolíferas dos EUA para que considerem investir até US$ 100 bilhões na reconstrução do setor de petróleo venezuelano, como parte da estratégia americana após a queda de Nicolás Maduro e o controle parcial da produção do país.

A reação do setor tem sido cautelosa e conservadora. O CEO da ExxonMobil descreveu a Venezuela como “uninvestable” (inviável para investimentos) sem mudanças substanciais no quadro legal e de segurança, refletindo preocupações históricas como expropriações passadas e incertezas jurídicas.

Até o momento, não foram anunciados compromissos financeiros robustos, e empresas de grande porte continuam reticentes diante dos elevados riscos e da necessidade de reformas profundas para tornar o país atrativo a aportes bilionários.

Os protestos contra o governo iraniano, iniciados no fim de dezembro a partir do agravamento da crise econômica, ganharam escala nacional e já atingem mais de uma centena de cidades. A resposta do regime tem sido dura: organizações de direitos humanos relatam centenas de mortes e milhares de prisões.

Diante da escalada, os Estados Unidos passaram a discutir alternativas de resposta mais firmes, que vão desde sanções adicionais e ações no campo cibernético até, em último caso, opções militares. Donald Trump declarou que acompanha a situação de perto e que já recebeu dos comandantes americanos diferentes cenários de atuação.

O peso do Irã no tabuleiro global explica a atenção redobrada: o país controla o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo, possui grandes reservas de petróleo e gás e exerce influência regional relevante — fatores que transformam essa crise em um risco estrutural para a economia global.

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