Mercado Financeiro em 2026: Entre Temores e Ajustes Estratégicos
O cenário financeiro global em 2026 se mantém marcado por uma mistura de cautela e ajustes estratégicos. A persistência dos receios em torno da inteligência artificial continua a influenciar o comportamento dos investidores, com a lógica de “vender primeiro e perguntar depois” se consolidando, especialmente em setores como gestão de patrimônio.
A recente ferramenta de estratégia tributária baseada em IA, lançada pela startup Altruist, desencadeou uma onda de aversão ao risco, afetando empresas tradicionais do setor, como Raymond James Financial, Charles Schwab e LPL Financial Holdings, incluindo algumas instituições brasileiras.
Atenção no Cenário Internacional
O mercado global acompanha de perto os indicadores macroeconômicos dos Estados Unidos, aguardando o payroll de janeiro, divulgado com atraso e considerado um dado-chave para recalibrar as expectativas em torno da trajetória de juros. Vendas no varejo mais fracas e sinais de desaceleração nas contratações, especialmente entre trabalhadores mais jovens, elevam a sensibilidade dos mercados a qualquer surpresa negativa, mesmo com autoridades minimizando os riscos.
O Banco Popular da China reiterou seu compromisso com uma política monetária mais frouxa, em resposta à fraqueza da demanda doméstica e à persistência da deflação ao produtor, enquanto no mercado de criptoativos, grandes detentores de Bitcoin voltaram a acumular posições, contribuindo para alguma estabilização de preços.
Negociações e Expectativas no Brasil
No Brasil, o mercado se volta para a participação de Gabriel Galípolo em evento promovido pelo BTG Pactual, especialmente após a divulgação do IPCA de janeiro, que elevou a probabilidade de um corte de apenas 25 pontos-base na Selic em março, em vez de um movimento mais agressivo de 50 pontos.
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Esse ajuste nas expectativas justificou a realização de lucros observada no pregão anterior, em linha com o humor misto dos mercados internacionais. André Jakurski, também durante o evento do BTG, destacou que uma das principais regras do mercado brasileiro é acompanhar o investidor estrangeiro: quando o fluxo externo entra, você precisa acompanhar (compre também).
Esse movimento tem sido observado desde o ano passado, com aprofundamento em janeiro, ainda que haja sinais de acomodação mais recente.
Desafios Internos e Estratégias
A SpaceX, de Elon Musk, anunciou uma inflexão estratégica ao redirecionar seu foco de longo prazo de Marte para a Lua. A companhia agora trabalha com a ambição de construir uma cidade lunar autossustentável ao longo da próxima década, enquanto a colonização de Marte fica postergada para um horizonte superior a 20 anos.
Esse novo direcionamento está mais alinhado às prioridades estratégicas dos EUA no curto e médio prazo. A SpaceX mantém um…
Desconforto e Incertezas na China
Apesar de 2025 ter sido, no plano externo, um ano de conquistas relevantes para a China — da afirmação tecnológica simbolizada pela DeepSeek ao enfrentamento da ofensiva tarifária de Donald Trump, passando por um superávit comercial em níveis recordes —, o país entra em 2026 com um desconforto doméstico cada vez mais visível.
O desemprego juvenil segue alto, muitos trabalhadores deslocados migram para a economia informal, a classe média vê parte do patrimônio corroída pela prolongada fraqueza do setor imobiliário e até o funcionalismo público, tradicionalmente associado à estabilidade, convive com ajustes e cortes salariais em algumas regiões.
Em paralelo, a campanha anticorrupção conduzida por Xi Jinping continua avançando e, ao alcançar figuras de alto escalão nas esferas política e militar, reforça a sensação de incerteza entre as elites. No fim, a mensagem é simples: a força geopolítica chinesa pode até ganhar tração lá fora, mas sua capacidade de sustentar essa projeção dependerá de como Pequim lidará com essas fragilidades internas — que, por ora, permanecem bem presentes.
Mudanças Estratégicas e Potenciais Consequências
Um nome que começa a ganhar maior tração nas discussões sobre a sucessão do presidente turco Recep Tayyip Erdogan é o de seu filho mais novo, Bilal Erdogan. Nos últimos meses, a agência estatal de notícias passou a conferir maior visibilidade a Bilal, com a publicação recorrente de reportagens sobre suas atividades públicas.
Em paralelo, ele tem acompanhado o pai com mais regularidade em viagens internacionais ao longo do atual mandato, o que amplia sua exposição institucional e reforça a percepção de um movimento gradual de inserção no cenário político. Embora a sucessão presidencial sempre tenha sido um tema sensível na Turquia — tratado como um tabu —, a possibilidade de uma transição de poder passou a ser discutida com maior frequência nos bastidores do partido governista, o AKP.
Segundo relatos, a entrada formal de seu filho mais novo na política já é considerada por integrantes da legenda, e alguns chegam a cogitar sua eventual ascensão à liderança no futuro. Esse debate sugere que a hipótese deixou de ser apenas uma especulação distante e passou a integrar, de forma mais concreta, as conversas internas do núcleo de poder, com potenciais implicações para a continuidade do atual arranjo político no país.
