Mercado global atento: juros, iene e Trump em destaque

Banco Central deve manter juros em patamar elevado, enquanto iene sobe com fala de Takaichi e ouro atinge novo recorde.

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Análise do Cenário Econômico Global

A semana se inicia com a expectativa de manutenção das taxas de juros, tanto nos Estados Unidos, quanto no Brasil. Essa perspectiva desloca o foco do mercado para os comunicados das autoridades monetárias e, principalmente, para qualquer sinalização sobre o possível início de um ciclo de cortes já a partir de março.

A cautela também prevalece na Europa e na Ásia, com a agenda política envolvendo Donald Trump ocupando o centro do palco e impactando a agenda de indicadores.

Destaques Recentes

Um dos principais destaques recentes foi o comportamento do iene. A moeda japonesa registrou sua maior alta diária desde agosto, reagindo a sinais de que o governo do Japão está disposto a atuar para conter a desvalorização cambial. Declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi reforçando disposição para enfrentar movimentos “especulativos” elevaram as apostas em uma ação mais direta, resultando em um iene mais forte e impactos imediatos sobre a precificação de ativos, como o mercado acionário japonês e a volatilidade cambial.

Cenário Brasileiro

No Brasil, a agenda da semana que encerra janeiro é particularmente carregada, reunindo a prévia da inflação oficial, dados fiscais, indicadores do mercado de trabalho e a decisão de política monetária. Esse conjunto de divulgações vem na esteira de um movimento excepcional dos ativos domésticos: o Ibovespa encerrou a última semana em nova máxima histórica, próximo dos 179 mil pontos, após ter flertado com níveis acima de 180 mil pontos no intraday da sexta-feira.

Em apenas cinco pregões, o índice acumulou uma alta de cerca de 14 mil pontos, equivalente a um avanço semanal de 8,53% — o maior em seis anos — e já supera 10% de valorização no mês. Esse rali tem sido sustentado por volumes elevados de negociação, refletindo a forte rotação global de capitais em direção aos mercados emergentes, representada por um ingresso expressivo de recursos estrangeiros, que já ultrapassa R$ 12 bilhões em janeiro.

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O fluxo robusto de capital para o país ajuda a explicar não apenas o patamar recorde da bolsa, mas também o comportamento do câmbio, com o dólar negociando abaixo de R$ 5,30.

Perspectivas e Expectativas

A expectativa é de que o Banco Central do Brasil mantenha a taxa básica de juros inalterada na reunião desta quarta-feira, possivelmente sinalizando uma comunicação um pouco mais flexível, que preserve a opção de iniciar um ciclo de cortes em março.

Em paralelo, o índice de dezembro deve registrar alta de 0,23%, indicando desaceleração em relação a dezembro, mas ainda uma leve aceleração no acumulado em 12 meses. Mesmo assim, se confirmado esse cenário, a leitura é de que a trajetória inflacionária seguirá compatível com as expectativas atuais e dificilmente alterará, por si só, o pano de fundo mais construtivo que hoje orienta o mercado.

Desenvolvimentos Internacionais

Com a trégua nas tensões geopolíticas, observou-se um alívio nos juros dos Treasuries ao longo de toda a curva, enquanto as bolsas americanas apresentaram um desempenho heterogêneo. Na última sexta-feira, o índice conseguiu avançar levemente, mesmo diante do tombo expressivo das ações da Intel, o S&P 500 praticamente não saiu do lugar, e o Industrial Average recuou, pressionado sobretudo pelo desempenho negativo dos papéis do setor bancário.

Novas Ameaças e Desafios

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom ao ameaçar impor tarifas de 100% ao Canadá caso o país avance em um acordo comercial com a China, reacendendo tensões no comércio internacional. Desta vez, porém, a reação dos mercados foi mais comedida, refletindo uma leitura mais sofisticada dos investidores, que passaram a diferenciar com maior clareza a retórica política de ações efetivas.

A avaliação é que, sem o respaldo explícito de membros-chave do governo americano, esse tipo de ameaça tende a permanecer no discurso.

Desdobramentos Internacionais

Representantes da Ucrânia, da Rússia e dos Estados Unidos realizaram no fim de semana, nos Emirados Árabes Unidos, as primeiras negociações trilaterais conhecidas desde o início da invasão russa em 2022, em um encontro marcado por sinalizações iniciais consideradas construtivas, embora ainda claramente preliminares.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que um documento com garantias de segurança oferecidas pelos EUA a Kiev está “100% pronto”, mas ressaltou que ainda é cedo para qualquer conclusão definitiva, uma vez que o principal ponto de impasse permanece sendo a questão territorial — especialmente no leste da Ucrânia, onde Vladimir Putin segue exigindo concessões que o governo ucraniano rejeita.

As negociações devem ser retomadas em 1º de fevereiro, enquanto o conflito continua produzindo impactos humanitários relevantes, incluindo ataques recorrentes à infraestrutura energética do país, com efeitos diretos sobre a população civil.

Novos Patamares

O ouro atingiu um novo patamar histórico, passando a negociar acima de US$ 5.000 por onça, movimento sustentado pela intensificação da busca por ativos de proteção em um ambiente marcado por choques geopolíticos, enfraquecimento do dólar e expectativas de juros estruturalmente mais baixos.

Desde o início de 2026, o metal acumula uma valorização expressiva, enquanto a prata apresentou um desempenho ainda mais intenso, superando a marca inédita de US$ 100 por onça. A combinação de tensões associadas ao governo Donald Trump, incertezas quanto à estabilidade da ordem global e questionamentos sobre o nível de valuation dos mercados acionários reforçou o apelo dos metais preciosos como instrumentos de proteção tanto contra riscos sistêmicos quanto contra eventuais pressões inflacionárias.

No pano de fundo, cresce a…

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