Netflix (NFLX34): Lucro Q3 2025 abaixo do esperado, Brasil em foco
Netflix (NTFLX34) apresenta lucro por ação significativamente abaixo das expectativas no 3T2025. Confira o balanço!
Netflix Reporta Resultados do Terceiro Trimestre de 2025
Na terça-feira, 21, após o fechamento das bolsas, a gigante do streaming Netflix (B3: NFLX34 | Nasdaq: NFLX) divulgou seus resultados do terceiro trimestre de 2025. A receita da empresa apresentou um crescimento, porém, o lucro por ação decepcionou, levando a uma queda de cerca de 7% nas ações após o mercado se encerrar.
O crescimento da Netflix no 3T25, embora positivo, não atingiu as expectativas. A receita da empresa aumentou 17,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior, impulsionada pelo aumento no número de assinantes, ajustes nos preços das assinaturas e pela expansão da receita proveniente de publicidade.
O lucro operacional totalizou US$ 3,248 bilhões, representando uma margem de 28,2%, 1,4 ponto percentual abaixo do registrado no trimestre anterior e abaixo do que a empresa havia projetado. Essa diferença na margem de lucro impactou significativamente o lucro líquido, que foi de US$ 2,547 bilhões, ou US$ 5,87 por ação.
O lucro líquido, embora positivo, ficou abaixo das expectativas do mercado, o que gerou uma reação negativa nas ações. A empresa enfrentou um desafio inesperado, que afetou sua lucratividade.
Fatores que Afetaram o Lucro
A principal causa da piora nos resultados foi o pagamento de encargos fiscais não recorrentes, impostos sobre remessas feitas pela subsidiária brasileira à matriz americana. O Supremo Tribunal Federal brasileiro reinterpretou a legislação, aplicando a CIDE também a pagamentos de serviços ao exterior, mesmo sem transferência de tecnologia.
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Essa mudança na interpretação legal gerou uma incidência de 10% sobre as remessas da Netflix Brasil, impactando diretamente a operação internacional da empresa. A Netflix Brasil paga à matriz americana pelos serviços de tecnologia e conteúdo que permitem oferecer assinaturas no país.
A decisão do STF reverteu uma decisão judicial de 2022 que isentava a empresa dessa cobrança. O impacto foi um pagamento único, relacionado a impostos não-incidentes sobre a renda, cobrindo períodos desde 2022.
Excluindo esse impacto fiscal, o lucro por ação da Netflix teria superado as expectativas. A empresa esclareceu que o pagamento único foi de aproximadamente US$ 1,09.
Perspectivas de Investimento
Apesar do impacto negativo no lucro por ação, a tese de investimento da Netflix permanece sólida, impulsionada por uma execução estratégica eficaz. As medidas de monetização, como a repressão ao compartilhamento de senhas e os ajustes de preço, continuam a converter não pagantes em receita e a aumentar o valor médio por usuário.
O co-CEO, Greg Peters, destacou o sucesso da empresa na linha de publicidade, que antes era vista com desconfiança pelos investidores. A Netflix prevê que essa linha de negócio dobre o faturamento neste ano.
Além disso, levantamentos de mercado indicam que a Netflix ainda representa menos de 10% do tempo de tela gasto pelas pessoas nos Estados Unidos e Inglaterra, o que demonstra ainda muito espaço para crescimento do negócio.
Apesar da forte queda no papel após o resultado, a ação pode apresentar um ponto de entrada interessante para investidores, considerando que o valuation atual é alto (quase 40 vezes seus lucros projetados para 2026).
Conclusão
O impacto fiscal no trimestre brasileiro não é motivo de orgulho, mas pode ter sido o gatilho necessário para que investidores reavaliem a ação. A Netflix continua a apresentar um modelo de negócios promissor, com potencial de crescimento a longo prazo.
Autor(a):
Redação
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