OpenAI e Anthropic disputam IPO de US$ 74 bilhões em 2026
OpenAI e Anthropic disputam o novo império financeiro com IPOs. A OpenAI, avaliada em US$ 1 trilhão, busca US$ 60 bilhões em seu IPO. A empresa enfrenta dilema com o uso gratuito do ChatGPT e a demanda por créditos de computação
A Nova Corrida das Índias: Inteligência Artificial e o Futuro do Capitalismo
Em 1602, um grupo de mercadores holandeses ousou sonhar com a Índia, buscando especiarias como noz-moscada e pimenta. A ambição, no entanto, era temperada pela realidade: viagens eram caras, perigosas e a escorbuto, uma doença causada pela falta de vitamina C, era uma ameaça constante.
A solução surgiu de forma inesperada: a criação de ações em papel, marcando o nascimento da VOC, a primeira empresa a vender ações ao público.
A inovação da VOC, com uma carta constitutiva de 21 anos, mudou o curso do capitalismo. Essa “liquidez” permitiu que investidores vendessem suas ações, impulsionando um mercado financeiro que se tornaria a base de economias modernas. A VOC prosperou, tornando-se uma superpotência global com seu próprio exército, moeda e colônias, comparável à Apple, Amazon e os Fuzileiros Navais dos EUA.
Quatro séculos depois, a busca por especiarias deu lugar a um novo “tempero”: a inteligência artificial. Os “navios” de comércio se transformaram em centros de dados, e os piratas, em reguladores. A ambição, no entanto, permanece a mesma: acumular capital e poder.
Estamos à beira de um novo império financeiro, com o mercado de IPOs (Initial Public Offering – Oferta Pública Inicial) como seu principal motor.
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Em 2026, um confronto de pesos pesados está marcado: OpenAI e Anthropic. A OpenAI, com uma avaliação de US$ 1 trilhão, planeja seu IPO, buscando levantar US$ 60 bilhões. No entanto, a empresa está enfrentando um dilema: mais poder significa mais dinheiro.
A receita da OpenAI cresceu três vezes a capacidade computacional a cada ano, comprovando a eficiência da transformação de eletricidade em “ouro”. Contudo, a diferença entre seus rendimentos e ambições é um abismo que os investidores privados não conseguem preencher.
A revelação é que 73% da receita da OpenAI provém de consumidores que pagam US$ 20 por mês pelo ChatGPT Plus, enquanto a receita média por usuário é de apenas US$ 25 por ano. A “fogueira” de créditos de computação, gerada pelo uso gratuito do ChatGPT, custa cerca de US$ 2 a 3 bilhões por ano.
Sam Altman admitiu que “os ricos pagam para que os pobres possam usar de graça”. Assim, a OpenAI está se preparando para a publicidade, integrando anúncios ao ChatGPT. Além disso, a empresa pretende manter uma porcentagem da propriedade intelectual que seus clientes inventarem com a ajuda de suas IAs.
Enquanto a OpenAI busca formas de tributar suas ideias, os usuários simplesmente estão indo embora. A participação de mercado da Gemini, uma concorrente, está crescendo, impulsionada pela percepção de que não é necessário um “oráculo onisciente” que exige uma parte dos lucros.
A Anthropic, apoiada por Amazon e Google, está ganhando terreno. Fundada por Dario Amodei e uma equipe de dissidentes da OpenAI, a Anthropic construiu o Claude com base na “IA Constitucional”, uma estrutura de segurança rigorosa que impede que o modelo se descontrole.
Enquanto o ChatGPT tenta ser tudo para todos, o Claude foi desenvolvido para trabalho profundo. Sua inovação, o Claude Code, é um agente autônomo capaz de programar sozinho por até 30 horas seguidas.
A Anthropic conquistou o mercado corporativo, com uma receita anualizada que dobrou em seis meses, atingindo US$ 9 bilhões em janeiro de 2026. A empresa está arrecadando mais do que o esperado em sua nova rodada de financiamento, com compromissos prévios da Microsoft e Nvidia, podendo ultrapassar US$ 20 bilhões em valor.
A OpenAI, por outro lado, está vendendo um sonho que custa US$ 74 bilhões por ano para manter suas operações, exigindo uma conta corrente infinita.
A Anthropic está jogando um esporte diferente, conquistando clientes exigentes, contratos maiores e o caminho mais eficiente para a lucratividade. Enquanto a internet discute qual chatbot tem a melhor personalidade, o ideal é ficar de olho nas variações semanais do mercado.
Autor(a):
Redação
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