Operação EUA na Venezuela: Reconfiguração da Ordem Internacional em 2026
A captura de Nicolás Maduro por ordem dos EUA reconfigura a ordem internacional, impulsionando a influência dos EUA e intensificando rivalidades geopolíticas
Reconfiguração da Ordem Internacional
No início de 2026, a geopolítica mundial foi impactada pela ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela e pela prisão de Nicolás Maduro, um evento de grande relevância. Essa situação reforçou a leitura de uma reconfiguração mais ampla da ordem internacional, liderada por Donald Trump.
As bolsas asiáticas, impulsionadas pelo setor de tecnologia e pela inteligência artificial, avançaram para novas máximas, enquanto os futuros de ações nos Estados Unidos e na Europa operaram em alta. O ouro e a prata ganharam tração como ativos de proteção, e o petróleo manteve relativa estabilidade, com a China optando por manter sua produção inalterada.
O Conselho de Segurança da ONU convocou uma reunião de emergência para tratar do tema.
A Inflexão na Política Externa dos EUA
A captura de Maduro representou uma inflexão abrupta na política externa do segundo mandato de Trump, sinalizando uma abordagem mais assertiva, unilateral e ancorada no uso do poder militar e econômico. Inicialmente, Trump chegou a afirmar que Washington “governaria” a Venezuela durante o período de transição.
Posteriormente, o secretário de Estado Marco Rubio tratou de calibrar o discurso, deixando claro que a estratégia central dos EUA seria exercer pressão econômica, sobretudo por meio de uma “quarentena do petróleo”, em vez de promover uma ocupação formal do país.
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Maduro enfrenta acusações graves em um tribunal federal norte-americano, enquanto a Suprema Corte da Venezuela declarou Delcy Rodríguez como presidente interina, preservando figuras do chavismo no núcleo do poder, agora sob forte influência dos EUA.
A pressão popular por eleições livres cresce, a oposição reivindica legitimidade política e o posicionamento das Forças Armadas emerge como o principal fator de estabilidade — ou de risco — no curto prazo.
Geopolítica e Rivalidades
Sob uma ótica geopolítica, a operação reforça a leitura de que os EUA buscam neutralizar a Venezuela como polo de influência de China, Rússia e Irã no Hemisfério Ocidental, alinhando mais a região com a lógica histórica da Doutrina Monroe.
A reação chinesa, que incluiu pedidos formais pela libertação de Maduro e debates internos traçando paralelos com Taiwan, evidencia o risco de que a ação americana seja interpretada como um precedente, elevando a volatilidade global e intensificando a rivalidade entre grandes potências ao longo de 2026, que deverá seguir marcado por tensões.
Mercados Financeiros e Investimentos
No mercado financeiro, a leitura inicial tende a ser construtiva no curto prazo. Os títulos venezuelanos já vinham apresentando recuperação desde 2023, e a expectativa de maior envolvimento dos EUA no setor de petróleo — combinada à possibilidade de flexibilização gradual de sanções e a um aumento da produção, que pode alcançar algo entre 1,3 e 1,4 milhão de barris por dia em até dois anos — sustenta um viés mais otimista.
Ainda assim, o principal obstáculo segue sendo a reestruturação da dívida em um contexto de transição política frágil, o que limita ganhos mais consistentes.
Dinâmica Interna e Eleições
No mercado doméstico, após uma valorização expressiva de cerca de 34% em 2025, o mercado iniciou 2026 com uma leve correção de 0,36%, ainda acima do patamar de 160 mil pontos, em um pregão marcado por liquidez reduzida. No campo político, o investidor segue atento à dinâmica eleitoral, especialmente ao período entre janeiro e março, que promete ser particularmente desafiador, dada a frente populista de gastos aberta pelo governo.
Tendências Emergentes
A temática da inteligência artificial voltou a ganhar tração logo no início de 2026, com a China ocupando papel central nesse movimento. A estreia da fabricante de chips Biren foi emblemática: as ações da companhia avançaram cerca de 76% no primeiro dia de negociação, sinalizando um apetite elevado do mercado por ativos ligados à IA.
Na mesma linha, a Baidu registrou alta próxima de 9% após o anúncio do pedido de IPO em Hong Kong de sua unidade de semicondutores, a Kunlunxin. Esse entusiasmo não ficou restrito ao mercado asiático. Ele se refletiu também no desempenho das bolsas americanas, sustentando um início de ano positivo para o S&P 500 e reforçando a expectativa de desempenho relativo superior do Nasdaq, o que indica que o apetite global por ativos associados à inteligência artificial permanece elevado.
Investimentos Estratégicos
Os fundos soberanos ao redor do mundo atingiram um patamar histórico de aproximadamente US$ 15 trilhões em ativos sob gestão, resultado tanto de um ambiente de mercados mais aquecido quanto de uma estratégia deliberada de aprofundamento dos investimentos em tecnologia.
Em 2025, cerca de US$ 66 bilhões foram direcionados a iniciativas ligadas à inteligência artificial e à digitalização, com clara liderança do Oriente Médio.
A Onda de Investimentos em Defesa
A recente operação militar dos EUA na Venezuela — que culminou na captura de Nicolás Maduro — provocou um aumento imediato da percepção de risco geopolítico em escala global, com reflexos claros nos mercados financeiros, em especial na valorização das ações das principais empresas europeias do setor de defesa.
Esse episódio, longe de ser isolado, reforça uma tendência estrutural que já vinha se consolidando. Os países da OTAN acordaram elevar gradualmente seus gastos com defesa de 2% para 5% do PIB até 2035, em um movimento de rearmamento de longo prazo que pode adicionar centenas de bilhões de dólares por ano aos orçamentos militares do bloco.
Autor(a):
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