Professores no Brasil perdem tempo excessivo com indisciplina, aponta OCDE

Brasil registra tempo excessivo de perda de aula por indisciplina, ultrapassando média global; barulho e desordem impactam majoritários professores.

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(Imagem de reprodução da internet).

Tempo de Aula Dedicado à Disciplina Escolar no Brasil

Segundo a edição de 2024 da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis), divulgada pela OCDE, os professores brasileiros gastam mais de 20% do tempo de aula em lidar com a ordem e o comportamento dos alunos. Esse índice supera a média global de 16%, posicionando o Brasil entre os países com maiores desafios de indisciplina escolar.

Além da questão disciplinar, o estudo aponta para um aumento na carga horária dos docentes. Entre 2018 e 2024, os professores em tempo integral acumularam quase cinco horas extras por semana, devido ao tempo de aula, à preparação de aulas e às atividades administrativas, o que contribui para o desgaste profissional.

A pesquisa envolveu o levantamento de dados em aproximadamente 280 mil docentes e diretores de 17 mil escolas, abrangendo 55 sistemas educacionais. No Brasil, a coleta de dados ocorreu entre junho e julho de 2024, realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) em escolas de ensino fundamental II selecionadas aleatoriamente.

Panorama do Brasil

O tempo perdido com indisciplina no Brasil se manifesta de diversas formas, impactando diretamente a qualidade do ensino. Os principais indicadores revelam um cenário preocupante:

Professores iniciantes sofrem mais com esses problemas. Cerca de 66% dos docentes com menos de cinco anos de experiência relatam enfrentar barulho perturbador frequente, enquanto entre os experientes o índice cai para 53%.

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A falta de reconhecimento social agrava o problema. Apenas 14% dos professores brasileiros se sentem valorizados pela sociedade, um dos índices mais baixos da pesquisa, embora tenha subido três pontos percentuais desde 2018. A média da OCDE é de 22%.

O estresse também é elevado, sendo mais da metade dos docentes que relatam sentir pressão devido ao grande número de aulas para lecionar e ao excesso de preparação necessária. Adicionalmente, 47% citam intimidação verbal por parte de alunos como fonte de estresse, um índice alarmante quando comparado à média global.

Panorama do Mundo

Globalmente, a proporção de tempo gasto com disciplina cresceu em quase todos os sistemas educacionais desde 2018. No entanto, existem diferenças significativas entre os países, com alguns enfrentando desafios maiores do que outros.

Os países com maiores e menores índices de tempo dedicado ao controle de ordem são:

A idade média dos professores no mundo é de aproximadamente 45 anos, sendo que Lituânia e Portugal têm as forças de trabalho mais envelhecidas, com média de 51 anos.

Quase nove em cada dez professores relatam estar satisfeitos com seus empregos, em média, embora essa satisfação varie bastante. As maiores taxas são de 79% no Japão e 98% na Albânia.

Paralelamente, mais de oito em cada dez professores na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Uzbequistão e Vietnã acreditam que suas opiniões são valorizadas. Em contraste, menos de um em cada dez na Croácia, Estônia, França, Itália, Portugal, Eslovênia e Espanha compartilham essa percepção.

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