Volodymyr Zelensky em negociações sobre a Ucrânia e a OTAN

Mercado atento a dados de emprego dos EUA, que trazem relatório após o shutdown. Expectativas para política monetária podem mudar com resultado fraco. Setor de Tecnologia sob pressão, com foco em IA e valuations elevadas. Cenário internacional em calma, com petróleo em baixa e negociações de paz entre Rússia e Ucrânia. Brasil em rota para corte de juros, apesar de dados de emprego. Prata atinge novos patamares com expectativa de cortes de juros

16/12/2025 9:30

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(Imagem de reprodução da internet).

Mercado em Atenção aos Dados de Emprego dos EUA

O mercado iniciou a sessão com um foco intenso nos dados de emprego dos Estados Unidos, que trouxeram o primeiro relatório após o prolongado shutdown do governo. A informação referente aos meses de outubro e novembro gerou atenção redobrada, com um resultado mais fraco do que o esperado podendo provocar ajustes nas expectativas para a política monetária, atualmente concentrada em um cenário de pausa no ciclo de cortes de juros.

A interpretação desses números exige cautela, considerando a paralisação das atividades públicas, as baixas taxas de resposta às pesquisas e os atrasos metodológicos, o que aumenta a probabilidade de distorções estatísticas – um indicador notoriamente sujeito a revisões.

Setor de Tecnologia Sob Pressão

No mercado de ações, o setor de tecnologia continuou sob pressão, com destaque para empresas expostas à temática de inteligência artificial, diante de preocupações persistentes com valuations elevados, níveis de investimento intensivos e maior alavancagem financeira.

Esse cenário tem incentivado uma redução de exposição aos grandes nomes do setor e favorecido uma rotação setorial e regional mais ampla. A volatilidade no setor reflete, em parte, a incerteza em torno do ritmo de crescimento da IA e a avaliação do impacto a longo prazo dessas tecnologias.

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Cenário Internacional em Calma

No cenário internacional, o tom é de cautela. As bolsas europeias e asiáticas aguardam os desdobramentos dos dados americanos, enquanto o petróleo recua nesta manhã, refletindo sinais de avanço nas negociações de paz entre Rússia e Ucrânia. A retomada das discussões diplomáticas, embora ainda em estágio inicial, contribui para um ambiente de menor incerteza e reduz o risco de choques geopolíticos que poderiam impactar os mercados globais.

Brasil em Rota para o Corte de Juros

No Brasil, o mercado encerrou a sessão com um movimento ascendente, impulsionado pela expectativa de que o Banco Central possa manter a trajetória de cortes de juros. O relatório de emprego, embora positivo, não foi suficiente para convencer o Banco Central a mudar de rumo, mas a perspectiva de desaceleração da inflação e o enfraquecimento do mercado de trabalho reforçam a probabilidade de novas reduções na taxa básica de juros.

Prata Alcança Novos Patamares

A prata voltou a renovar máximas históricas, ultrapassando o patamar de US$ 60 por onça, movimento sustentado pela expectativa de novos cortes de juros nos Estados Unidos e por um mercado físico visivelmente apertado. A metal, que possui forte uso industrial, também exerce papel monetário e de proteção patrimonial.

Apesar da volatilidade recente, trata-se de um ativo com características singulares, inserido em um cenário no qual o Federal Reserve parece cada vez mais limitado em suas opções.

Negociações de Paz em Berlim

As negociações em Berlim, que envolvem delegações da Ucrânia, dos Estados Unidos e da Europa, avançaram de maneira significativa, com um consenso de cerca de 90% dos pontos discutidos. Entre os tópicos abordados estão a criação de um acordo de segurança similar ao da OTAN, o uso de ativos russos congelados para financiar a reconstrução da Ucrânia e a possível adesão do país à União Europeia.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, demonstrou disposição para abandonar a candidatura da Ucrânia à OTAN como parte de um acordo para encerrar o conflito com a Rússia, desde que o país receba garantias de segurança sólidas e duradouras.

Desafios Geopolíticos e Estratégicos

A percepção de que os Estados Unidos estão se afastando do papel tradicional de principal fiador da segurança europeia, evidencia um vácuo estratégico que amplia os riscos geopolíticos no continente. A mudança de tom reflete o aumento das tensões desde que o presidente Donald Trump passou a tratar a ilha — rica em terras raras e localizada em uma região-chave do Ártico — como elemento central da segurança nacional americana, chegando inclusive a não descartar publicamente o uso da força.

A dinâmica geopolítica, somada à instabilidade política interna dos EUA, contribui para um cenário de maior incerteza e volatilidade nos mercados globais.

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