A primeira semana do ano de 2026 começou com eventos geopolíticos significativos. No último sábado (3), o mundo acompanhou a captura do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por autoridades norte-americanas, sob a liderança de Donald Trump.
Uma declaração chave foi feita por Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA, que enfatizou que o objetivo da ação não era a governança da Venezuela, mas sim o controle total da produção de petróleo do país, que detém a maior reserva mundial.
Impacto no Mercado Acionário
Imediatamente após a abertura do pregão da segunda-feira (5), o mercado global pareceu reagir de forma relativamente equilibrada às notícias. No entanto, as petroleiras brasileiras apresentaram um desempenho diferente. Em especial, ações como Petrobras (PETR4), PetroReconcavo (RECVE3) e Prio (PRIO3) registraram quedas, sem recuperar totalmente as perdas acumuladas até a manhã de quinta-feira (8).
Até o fechamento deste texto, as ações apresentavam declínios de aproximadamente 3%, 2% e 1% na semana, respectivamente.
Correlação com o Contexto Geopolítico
É possível identificar uma correlação entre esses movimentos e o cenário geopolítico. Matheus Spiess, analista de macroeconomia da Empiricus Research, comentou: “O setor de petróleo e gás reagiu a uma interpretação de que, caso houvesse uma tentativa de revitalização da infraestrutura de óleo e gás venezuelana, a atração de capitais regionais poderia sair do Brasil e ir para a Venezuela.”
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Análise do Mercado
A questão é se há motivo para preocupação definitiva entre os investidores. Spiess argumenta que a situação é temporária: “Esses ruídos sobre óleo e gás, acredito que sejam mais de curto prazo. Tanto é verdade que nem conseguiram machucar o bom desempenho que tivemos no Ibovespa [nos últimos dias].”
Perspectivas de Investimento
Apesar da queda das petroleiras (que são grandes expoentes do Ibovespa), o principal índice da bolsa brasileira tem mantido uma tendência de alta. O analista explica que, mesmo que o petróleo venezuelano atraia mais capital estrangeiro – afetando as exportações brasileiras –, este é um processo lento, sem impacto imediato: “Demora muito tempo.
Para se ter uma ideia, a Venezuela já teve produção diária de barris de petróleo de 3 milhões [no passado]. Hoje [é] menos de um milhão, 800 mil. Você até poderia tentar retomar para algo como 1,4 milhão em 2 anos. Mas para voltar aos 3 milhões, você precisaria de, pelo menos, 10 a 15 anos, e um investimento superior a 100 bilhões de dólares.
Demora muito tempo e demanda muito dinheiro. Para ter esse nível de investimento, você precisa de garantias.”
Recomendações da Empiricus
Concluindo, segundo Spiess, o peso da ofensiva norte-americana pode ter sido mais sentido pelas petroleiras, pois, neste início do ano, outros fatores que costumam influenciar o mercado ainda não estavam em destaque. “Em grande parte, [aconteceu] porque não temos muitos vetores domésticos ainda.
Teremos IPCA nessa semana, e os principais debates sobre cortes de juros devem dominar a cabeça dos investidores cada vez mais. E principalmente depois de abril, a questão eleitoral deve entrar mais em jogo. Essa semana, por enquanto, não teve um vetor específico.
Estamos surfando um pouco na questão internacional.”
PETR4 e PRIO3: Principais petroleiras brasileiras seguem como recomendação de compra das principais carteiras e séries da Empiricus. As ações, inclusive, estão presentes em dois portfólios gratuitos da Empiricus que você pode conhecer agora mesmo.
